sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Última Carta

Tentei escrever-te esta noite para que não restassem dúvidas, amar-te pode ser sinal de tudo ou pode ser sinal de nada, um olhar trespassado é quase idêntico a um olhar equivocado, se me amas sê gentil comigo e contigo próprio e entende que não sei porque o sinto mas que sinto a ânsia de algo mais, mesmo tendo-te a meu lado. As tréguas estão lançadas, o baralho está por partir, é a tua vez, fá-lo por mim, só preciso que me sejas forte o suficiente para me corrigir se estiver errada ou fraco o aceitável para me convenceres a permanecer na tua vida.
Pode parecer egoísta querer que a Primavera aconteça só na minha varanda, sem ter com quem partilhas as flores, mas não o é, se pensares bem descobrirás que a Primavera acontece mais dentro do coração do que fora do corpo, se pensares bem descobrirás que as tuas flores por mim murcharam e que já não existe Primavera na nossa varanda, não estamos na estação errada, o tempo não se apressou nem recuou, a vida é simplesmente composta pela irremediável mudança.
É difícil fazer as malas e abandonar-te, por isso, por ser assim tão fraca, preciso que as faças tu por mim e que saias tu da minha vida, pela porta da minha casa. É inaceitável considerar que depois de tanto tempo o amor estagnou mas acontece, um raiar íntimo, inteiro e uno fez com que despertasse em mim a eterna necessidade de sentir, viver, agir, como se a diferença e a aventuras fossem as minhas práticas diárias.
Gosto de ti, não o poderia negar, nem nunca o negarei, dizer que és demais para mim é uma hipérbole, chamar-te bonito é patético, dizer que me cativas é eufemismo mas isso só não chega. Como eu gostava que chegasse! Como eu gostava de acenar a bandeira branca da paz a este impulso tão verdadeiro, tão real, tão assustador que nem me consigo conformar, confortar, não consigo sequer sentir o meu coração bater-me no peito.
É assim, este é o fim, um adeus não seria justo mas um até sempre nunca é demais...

Sabes onde eu estou, ao alcance de um ou dois passos apenas, sentada na cadeira ao lado.





2 comentários:

Carol Barcellos disse...

Muito interessantes e poderosíssimas palavras. Nunca senti isso que vc escreveu, mas ler me ajudou a compreender, caso eu venha a sentir um dia. Mas conheço uma pessoa que está sentindo isso, e ler seu texto me ajuda a compreendê-lo melhor.
Bejios doces cristalizados!!! :o*

Anônimo disse...

"Se a luz do sol te faz chorar, deixa as tuas lágrimas correr. Pois o mesmo sol as vai secar e os teus olhos vão voltar a ver... A vida é como o mar, como a maré... nunca deixes de lutar, os homens vivem de pé..."