segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Nem sei que título lhe dar...

Fui ao cemitério hoje, tentar falar contigo, pelo menos tentar entender o que se passou, o que fizeste, não soube, não soubeste responder, talvez porque não te tenhas aproximado, talvez tenhas falado demasiado baixo ou talvez apenas te queiras afastar de mim. Não me abandonaste porque sinto que estás em mim mas talvez não queiras que eu fique presa à tua imagem, aos teus sons, aos teus passos, aos teus gestos, ao teu rosto, e então decidi pela primeira vez, hoje decidi, que não me ia despedir de ti porque nunca houve uma despedida também não ia dizer adeus porque não seria capaz, não teria coragem e porque tu fazes tanto parte de mim como eu faço parte de ti, mas hoje eu sei, hoje eu soube quando ali cheguei, quando vi a tua campa, quando olhei a tua imagem, quando te toquei, eu soube, eu hoje sei que não vale a pena chorar nem vale a pena gritar porque tu não estás aqui para me ouvir e se eu chorar e gritar alguns vão pensar que sou maluca só porque gostava de te ter aqui, gostava de te dizer uma ou duas palavras que ficaram por dizer, gostava de te contar tudo o que se passou desde que partiste, os momentos que perdeste, sei lá, o mundo que eu pensava que só tu e eu entendíamos e que agora sei que mais alguém partilha comigo.
Hoje foi um dia difícil para mim, não foi uma despedida, não foi um adeus mas foi um momento que mudará a minha vida daqui para a frente, um ponto de viragem. Hoje tu ensinaste-me a ir e a chegar, a olhar bem para o meu lado e a estar plenamente, a admirar um novo rosto, um novo olhar, um novo toque, uma nova mão que segurarei sempre; hoje tu ajudaste-me a dizer todas as palavras que os meus muitos silêncios prendiam em si.
Hoje com a tua mão no meu ombro eu olhei o céu e vi o rosto dele e soube que nunca estaria só porque ele estaria sempre comigo, soube que ele é actualmente uma das pessoas mais importantes da minha vida, nos seus olhos eu vejo o meu reflexo, não há nada de mais belo!
Tu hoje deste-me esta força, esta coragem, este abraço que me fez arrepiar e acordar para a vida, que não me perguntem como, que não me perguntem de que modo, de que jeito, não saberei responder, apenas sei que és um anjo que veio salvar-me e mostrar-me a luz.
Um dia deitar-me-ei no seu colo para lhe contar a nossa conversa de hoje, para lhe contar o quanto chorei de saudade e o quanto ri com as memórias e lembranças, para lhe contar que embora este meu testemunho pareça estranho é algo maravilhoso que senti na pele e na alma, hoje. Contar-lhe-ei que tu gostas de mim mais do que suficiente para me deixares ir, hoje eu vou, vou deitar-me no meu colo, emaranhar-me em mim, chorar um bocadinho e depois eu vou olhar o rosto dele e dizer-lhe como se fosse a primeira vez: “Gosto de ti!”

6 comentários:

Evuska disse...

Olá, sou leitora do teu blog... partilho contigo alguns dos teus sentimentos!
Parabéns pela capacidade q tens de dar vida ás palavras...
Tudo de bom para tí e força!

Fallen Angel disse...

« Para o meu anjo »..

ci disse...

passei por cá para deixar beijos da ci...:)

Alexandre disse...

Fiquei impressionado com o teu texto... já o tinha lido antes mas só agora consegui vir comentá-lo...

Há desabafos que não precisam de títulos...

Muitos beijinhos!!!

Ana Luíza disse...

É você possui uma capacidade enorme de sentir e de saber descrever os sentimentos perfeitamente.

"Sorte é se αbαndonαr e αceitαr essα vαgα idéiα de pαrαíso que nos persegue, bonitα e breve, como αs borboletαs que só vivem 24 horαs.Quem disse que morrer dói?"

Me lembrou essa frase!E como lembrou.

Blue Velvet disse...

É tão bonito o seu Blog.
Tão sentido o que escreve que passa para nós o que quer dizer.
Quem sabe um dia comece um Blog cujo título seja" Dança de sorrisos"
Um beijo
BlueVelvet