quinta-feira, 5 de julho de 2007

Arranho as Horas

Arranho as horas enquanto adormece o relógio, tic-tac, e rodam os ponteiros em sintonia cravando-me de medos e receios. Arranho as horas e o tempo que as detém e antes que se adormeça o relógio por inteiro eu cravo-me os medos e arranho-me nas horas e deixo-me engolir pelo tempo enorme que me tem.
Arranho...
Arranho e corto e deixo-me morrer.
Arranho as horas com as unhas da vida, lanço-me contra a parede de sangue que se extingue, embato violentamente contra as verdades e tombo pelo tempo abaixo como uma rocha arrastada pelas águas.

Arranho...
Arranho-me a pele nas horas a descoberto, sangro este papel enquanto escrevo...

terça-feira, 3 de julho de 2007

(Na) Tua Morte (entre lágrimas)


Não entendo porque morreste, porquê? Nem entendo porque saíste disparado da esplanada para depois pegares na mota e te atirares contra a frente de um camião, mesmo ali na frente de todos os teus amigos. Não entendo! Eu corri… corri o que pude e o que não pude e nadei no rio de sangue ao teu redor só para te ouvir dizer que me amavas e sentir-te depois decair no meu colo comigo já a gritar aos céus e às terras o teu nome.

“Um dia quando formos velhos havemos de ter uma rede para dormir nas noites de Verão!”, comprei uma rede e coloquei-a no meu jardim, passo aqui algumas noites, observo todas as estrelas e as constelações que me ensinaste. Observo às vezes o teu rosto nelas ou a tua mão estendida para me alcançar num carinho. Tenho pena de não ter conseguido sentir os teus braços a envolver-me numa noite de Verão na nossa rede. Tenho tanta pena de não conseguir ter agora o teu ombro para chorar o meu desespero.

Mais do que a perda o que mais me custa é a falta. Nem imaginas como é precisar de ligar a alguém e ver o teu nome sempre na lista telefónica, passar no corredor e ver os desenhos que me fazias, entrar no quarto e mirar as tuas fotografias.

Amo-te tanto! Mesmo sabendo que te foste, foste para o lado de lá, um dia havemos de nos encontrar e eu dar-te-ei o estalo que ficou aqui guardado seguido de uma carrada de beijos que também estão em mim para ti.

Cinzas de um Fogo ainda por Apagar

Porque morremos nós? Não devíamos ter uma vida eterna ou pelo menos algo onde nos encontrem vivos mesmo depois da morte? Eu tenho tanta coisa onde te encontro vivo que nem sei se faz algum sentido falar na tua morte. Estás no quarto que partilhamos, na roupa que compramos juntos, na comida que não comeste, nas paredes desta casa que te espera ainda, uma anunciação de vida mais rápida do que a própria morte que te levou para longe de mim. Estás no rio onde nadaste, nas águas que não voltaram nem pararam e te conduziram ao mar, no sal das lágrimas que me percorrem o rosto, nas conchas que apanhamos depois da nossa primeira noite de amor. Estás até no coração que me bate dentro do peito, descontrolado, desfeito, tresloucado por tanto te amar e não te puder tocar. Estás em tudo o que preciso, em tudo o que me mantém viva, no chão que pisamos enquanto caminhamos rumo a esse futuro tão incerto, demasiado incerto para acreditar nele. Estás-me assim amor, em todos os passos, nos longínquos cansaços que me fazem vacilar, nos sorrisos prematuros, nos carinhos não seguros que ainda carrego para te entregar.

Porque morreste tu? Não sei se deva acreditar sequer na tua morte, ainda vives dentro e fora de mim, ainda o teu corpo se passeia sobre os meus espaços em volta, sobre os meus passos cá dentro, ainda vives, ainda o teu coração bate em cada instante, na brisa do vento que passa, no rosto que vejo nas fotografias espalhadas pela casa, em tudo meu amor, em tudo e em nada e na aragem revoltada que me faz pulsar o sangue.

Quisera eu vencer a tua partida com um sorriso no rosto mas levaste contigo todos os meus sorrisos. Rasgo a raiva, rasgo o sangue, rasgo o coração de ódio, permaneço atada a ti neste tempo em que me encontro. Paro o mundo todo, paro a vida só para te ver bailar entre os meus sonhos, numa presença intensa que te torna eterno. Deixo-me cair sobre este chão que pisaste, deixo-me enrolar no meu próprio corpo que tocaste e deixo-me ficar com as lágrimas nos olhos, deixo-me permanecer perene com o rosto cravado pela dor, com o peito furado pelo sofrimento. Deixo-me…

Porque vivemos?

sábado, 30 de junho de 2007

Amor intemporal

Não digas que já é tarde, nada é demasiado tarde nesta vida. Nem o amor! Não me digas que já não o sentes e não me digas que não gostas de te vestir bem, de colocar um pouco de perfume antes de te encontrares comigo. O Amor está nesses pequenos gestos, até nas cartas que não me escreves só porque achas que a tua caligrafia me ia desagradar.

O meu Amor por ti é intemporal e portanto não interessa que me digas hoje que é tarde porque amanhã saberei que é cedo, tu em algum momento da tua vida irás entender que é assim que tem de ser, o amanhã é previsível quando se ama porque já estamos certos de amar.

Pensava ainda agora no que me disseste. É tarde para tudo hoje menos para Amar, é tarde para apertares os cordões direitos e não caíres nas escadas da casa da tua infância, é tarde para pedires desculpa ao teu irmão por lhe teres roubado a caneta vermelha, é tarde para as pequenas coisas do passado. Um dia irei dizer-te que é tarde para me pedires desculpa por tudo o que me disseste mas não irei deixar de te Amar, porque nunca é tarde para o Amor e porque sei que sempre te amarei.

Queria ligar-te agora mas deves andar ocupado a ler essas revistas de automóveis, há tão pouco para ler nelas e mesmo assim gastas-lhe as páginas com o uso que lhes dás. Queria contar-te que estou triste por me teres dito todas aquelas barbaridades, queria convidar-te para um café cá em casa e acabar quem sabe enrolada contigo no chão da sala. Mas não posso! Não posso querer! Tenho de te fazer ver antes que o Amor é mais do que um café e uma noite de sexo, tenho de te fazer ver que nunca é tarde para o Amor.

Não! Não quero ser um mero instrumento sexual! Queres uma mulher em quem mandares? Compra uma boneca insuflável. Cansei de andar de um lado para o outro a fumar maços inteiros de cigarros enquanto tu não atendes o telemóvel. Cansei de esperar por uma mensagem tua até às tantas da madrugada e acordar contigo aos gritos fora da porta porque querias “aliviar-te”.

Não é esta vida que quero para mim, não quero que o meu filho conheça o pai deste jeito. Nem sabes sequer que estou grávida, se soubesses obrigavas-me a tirá-lo ou então davas-me uma grande coça de propósito, acertavas em cheio na barriga e lá se ia a criança que eu sonhei para nós e que tu nunca desejaste para ninguém.

Como o mundo é pequeno e a vida é injusta!

Sabes querido? O Amor é muito mais do que isso que me entregas, muito mais que o prazer momentâneo que me dás, muito mais que o dinheiro que no final do mês depositas na minha conta e que nunca sei de onde vem. O Amor não é isto!

Um dia mostrar-te-ei o verdadeiro Amor e tu serás capaz de o ver sorrir-te no rosto da criança que carrego no meu ventre.




sábado, 23 de junho de 2007

Uma música de lágrimas...

Muse - Unintended.

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Preciso-te (escrito por entre lágrimas)


Preciso do teu jeito sereno de ser,
preciso da tua mão,
preciso do teu coração para bater pelo meu,
preciso de um canto nos teus olhos,
um canto onde sossegar-me.

Preciso do teu amor para aquecer-me,
preciso do teu sorriso,
as vezes do teu riso para alegrar o meu dia,
preciso de um pouco do teu carinho,
só um bocadinho de ti para encontrar-me.

Preciso-te muito mais do que de mim,
os teus passos sempre certos,
os teus gestos sempre ternos onde me deito.
Preciso-te a cada segundo,
um toque que afaste este cheiro a jasmim.

Amo-te tempestuosamente
















Vi-te meu amor, vi-te esta tarde perdido entre as ervas do caminho, gritei para ti mas não me escutaste. Vi-te os cabelos curtos que o vento despenteara, vi-te o casaco de sempre e as mãos nos bolsos guardando todas as lembranças boas que nos restam.
Vi-te amor, vi-te antes da chuva começar a cair...
Depois encostei-me à terra molhada e cantei para ti o meu amor, doce melodia, chorei as saudades, chorei as faltas, enrolada em mim fui-te calada. Percorri com os meus dedos a tua pele, embranqueci a viuvez, fechei os olhos e sorri.


Amo-te!


Cai a chuva em tons de melancolia, com ela chegam as recordações, os teus abraços, as tuas palavras proferidas pela tua boca e mesmo aquelas que só em silêncio me dizias, os teus olhos curvados sobre o meu coração, as tuas mãos sempre quentes acenando ao longe... depois, muito depois dos risos redondos só o teu corpo morto num caixão forrado a preto, a tua pele branca, os teus olhos fechados e as tuas mãos frias, os choros e gritos dos outros, o meu coração parado, as minhas pernas a cairem e a minha boca a gritar o teu nome.


Amo-te!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dança de muitas lágrimas sobre a pele...





Ouço a tua pele a cobrir-me de melodias eternas, um só toque e o mun do é meu num roçar de lágrimas.
Queimo o passado com as fotos, espero o presente com as tuas mãos nas minhas.


















Silêncio (dança de lágrimas...)

... lágrimas de amor!



Chuva Diagonal


O céu chora amor, deixa-o chorar, não tenho olhos para ver o céu, os meus dois olhos acastanhados estão presos no castanho dos teus...

Corri para ti na praça coberta de lágrimas, o céu acompanhava a minha corrida chorando também, um reencontro entre tantos outros que ainda virão, se é que nos havemos de reencontrar outra vez. Estavas encostado à velha árvore da praça admirando o chafariz, viste-me e choraste também enquanto te detinhas a desenhar-me as formas com o olhar... pausei antes de chegar a ti para respirar... amei-te ali como te amo agora enquanto escrevo, porque o amor que te tenho é tanto que chega para todos os miseráveis dias que ainda me reserva a vida. Envolveste-me em teus braços enquanto soletravas, "Amo-te sabias?", eu não quis e nem quero falar-te, só queria e quero beijar-te e amar-te sem medo nem receio do que possa acontecer a seguir. Beijei-te a boca sedenta de mim, tremeste todo e antes que me segurasses a face com as mãos, descobriste-me em carícias a pele dos braços e do peito e detiveste-te no pescoço mudo que ansiava pelos teus dedos. Não pude conter os soluços enquanto me amavas como nunca ninguém me amara, só em ti eu vejo a personificação do amor.

A chuva cai na diagonal dos nossos corpos, a roupa encharcada colada à nossa pele, olhos nos olhos, mãos nas mãos, peito no peito, nariz no nariz e uma viragem tamanha dentro de nós.

Antes que te fosses de novo chorei-te ao ouvido meia dúzia de palavras que selaste num beijo, tu choraste comigo, sorriste em mim enquanto no peito o coração te saltava e batia a um ritmo acelerado. O adeus último detivera-nos as palavras, as mãos molhadas sempre entrelaçadas, a vida quebrava os vidros do pecado só para nos fazer felizes, ficaste um pouco e eu fiquei outro tanto, quando se ama assim como nos amamos os minutos lado a lado são tão preciosos!
Tinhas de voltar para a casa dela, jantar com ela, dormir com ela, uma ela a empatar o nosso amor, uma outra a ter de ti o que nunca tive, uma outra que não tem nada ... e tem tudo o que sonhava ter.
Ela pode ficar contigo, ela pode ver-te todos os dias, beijar-te todos os dias, fazer amor contigo todos os dias mas não te pode amar nem metade do que eu te amo, tu não a amas nem um terça parte do que me amas... simplesmente o destino de pregou uma rasteira.

Não quero falar dela, quero falar de nós e da despedida difícil que avisinhava, quero falar-te dos dedos que se desprenderam dos meus, da boca que me beijou uma última vez antes de soletrar "Amar-te-ei sempre!", falar-te do corpo que vi sair da praça a correr, dos olhos que me encheram de lágrimas já na esquina enquanto se cruzaram com os meus uma última vez antes de partires... quero falar-te meu querido, quero falar-te deste amor que me cobre inteira e me mantém viva...

A chuva cai na diagonal do meu corpo, sozinho, tão cheio de amor que o transborda em lágrimas. Quero falar-te de amor e deixar que a chuva entre nos poros da minha pele para me molhar as entranhas tão cheias de ti, tão preenchidas por ti que não sei se a chuva conseguiria arranjar um canto onde permanecer.