quinta-feira, 5 de julho de 2007

Arranho as Horas

Arranho as horas enquanto adormece o relógio, tic-tac, e rodam os ponteiros em sintonia cravando-me de medos e receios. Arranho as horas e o tempo que as detém e antes que se adormeça o relógio por inteiro eu cravo-me os medos e arranho-me nas horas e deixo-me engolir pelo tempo enorme que me tem.
Arranho...
Arranho e corto e deixo-me morrer.
Arranho as horas com as unhas da vida, lanço-me contra a parede de sangue que se extingue, embato violentamente contra as verdades e tombo pelo tempo abaixo como uma rocha arrastada pelas águas.

Arranho...
Arranho-me a pele nas horas a descoberto, sangro este papel enquanto escrevo...

Um comentário:

Paulo Afonso disse...

Tanta qualidade e tanta "tristeza" na tua escrita... que faz um mesclado de uma fantasia soberba.

Tu és um génio!

Beijo