terça-feira, 24 de julho de 2007

Caiu



Caiu, caiu sobre a tua campa como se sofresses tanto ou mais do que eu, depois despiu-se de tudo e deixou-se caído para assim permanecer. Ficou, gastou as penas sobre a pedra furiosa e fria e deixou-se ficar então enquanto o manto da noite me invadia, eu de joelhos à sua frente, com os olhos cobertos de lágrimas, fingi que conseguia suportar o peso da dor que também me abraçava e perdi as raízes que me mantinham de pé, perdi tudo... ali.
Caí também enquanto não soube alertar as minhas veias para o veneno que as consumia e fui-me dor com os dias, sempre. Fui-me dor com o que não mais pude ter. Tu... Ele Caído e eu caída, tudo caiu por ti.

Um comentário:

Joaquim Amânbdio Santos disse...

sem desistências porque a dor é panaceia para a anestésica forma de não sentir!

sem tréguas porque a refrega não é passível de abandono. a luta é pelo ceptro da sedução!

expor não é ceder
expor não é fraqueza
expor não é ligeireza
expor não é falso pudor

expor não é ficar tristemente nu. ridiculamente vazio.

expor, quando ostentando verdade e ternura, é um simples laivo de amor.

sólido. profundamente sólido.