quinta-feira, 19 de julho de 2007

Não aguento mais!


Como um cão vadio e ferido, esperando na berma da estrada, passando despercebido, aqui estou eu enroscado de tal forma em mim que o amanhã nem tem medida nem chão, o hoje é só esta vontade de ficar aqui, este não aguentar mais, o destino cruel e doentio, o arrepio e o medo de saber que preciso de ajuda mas que não me apetece pedir...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Oração



Bendita sejas lágrima que cais
e alivias assim todos os meus ais
todas as dores incontidas ou perdidas.
Bendita sejais.
Bendita sejas lágrima que te vais
e nos meus olhos sempre pronta estás
a percorre-me o caminho da face.
Bendita sejais.

Lágrimas no meu funeral....



Chorem, comecem já a chorar, em breve o meu corpo morto cairá no vosso chão pintado de prata, chorem tudo já, de mansinho e deixem que a tristeza da perda vos envolva antecipadamente.

Hoje quero morrer,
matar-me de tristeza,
e sofrer, e doer, e gemer,
no silêncio, no grito inaugurado,
no castanho dos olhos já chorado,
na vergonha de me ver morta já.
Hoje quero morrer,
matar-me de dor,
e correr, e perder, e sofrer,
no campo humedecido,
no beijo entontecido,
na podridão do dia não esquecido,
na loucura de uma morte antecipada.


Chorem.
Amanhã distribuirão abraços e beijos de compaixão pela minha família coberta de perda, esquecerão as mágoas do passado e virão de luto ao meu funeral, não comprarão flores porque sabem que só quero uma rosa branca, uma única rosa branca... fingidos! Chorem hoje já! Fingidos...

Caimbra do Sentir


E de repente vejo-me enrolada, toda enroscada no sentir bordado de seda, contraiu-se todo em amor cobiçado e quebrou-se tudo , gastou-se a água salgada das lágrimas e os gritos sufocados.
E dói-me tanto que nem sinto nada, dói mais partir-me aos poucos nas encruzilhadas e gemer baixinho fingindo que me dói um pouco.


O sentir incomoda tanto ou mais do que o amor já perdido, enlatado junto com os outros sentimentos impuros que moram no lugar do meu coração, e agarro-me ao que tenho como se não fosse nada, beijando o vazio que se revela enclausurado e grito o que me alicerça como um veneno que rompe e rasga as veias do meu corpo.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Cravo-me de Amor



Cravo-me de amor em penas que caem como plumas sobre o quarto vazio de ti, depois comparo o rosto que tenho ao que tive quando ainda o percorria em ti e ligeiro-me a sentir este desejo graúdo de ainda puder tocar-te.
Cravo o meu corpo com as tuas palavras e com os teus silêncios e cravo-me ainda com que não me fizeste na perpétua vontade de o desfazer, de desfazer tudo assim em pedaços miúdos que nem o meu amor enorme conseguisse recompor. Cravo-me de amor ainda, despida de ti com o teu perfume a passear no espaço, depois ainda há o cheiro da tua boca a rondar a minha num eco do beijo inglório que restou.
Cravo-me de solidão com o peito arrebatado pela incompreensão ténue e mansa que me atrapalha o sentir violado.

Morte Presumida


Fecho os olhos e deixo-me escorregar com a saliva que cai da boca em direcção a esse abismo de sofrimento que tão bem conheço, deixo-me ficar com o corpo nu feito pedra fria e deixo-me enfraquecer como uma rocha e ficar cinzenta como o cimento e depois deixo que a minha nudez se camufle e que ninguém me reconheça.
Abro os olhos e vejo a minha dor cobrir-me com os seus braços longos, a tristeza olhar-me nos olhos, o sofrimento a beijar-me a boca já gelada pela rocha. Fecho de novo os olhos para sentir o beijo enfraquecer-me, apodrecer-me os ossos, parar o sangue que me corre pelas veias, rebentar-me o coração que bate sozinho no peito.

Lágrimas que balançam


E antes que me arrepie com o teu sonoro "Não!", deixa que te diga que os meus olhos castanhos molhados estão cobertos por ti... E as lágrimas balançam com força sobre a minha alma e não esta nada a não ser esta constante e incessante vontade de chorar, de verter as lágrimas sempre que posso, de sucumbir à dor e respirar devagar para chorar depressa... e depois esta vontade de morrer de tristeza e sentir as lágrimas cubrirem-me o rosto e a vida à minha volta com tal destreza que ninguém dá por elas, nem eu.
Lágrimas que balançam na face envergonhada, na cabeça curvada pelas mãos da dor, no peito desfeito e na alma tão calma, tão serena que jaz como morta no lugar do sangue que me deveria correr pelas veias.

Dá-me a tua mão ...



Escorrem lágrimas nas minhas mãos, muitas, perfeitas, solenes, palmilham os caminhos do meu corpo e quando as limpo ficam-me nas mãos e eu deixo-me chorar mais ainda enquanto as observo ...
Dá-me a tua mão e deixa-me manchá-la com as minhas lágrimas... dás-me a tua mão?

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cry.... let me cry...




Doem-me as lágrimas...


Doem-me as lágrimas e a vontade de as dizer,
dói-me o teu segredo e o grito que quis escrever,
dói-me tudo,
dói-me o mundo,
dóem-me as palavras ainda por dizer.
Porque hoje me dói o mundo inteiro,
cai sobre o meu rosto em lágrimas de dor.

Lágrimas...



Apetece-me chorar com o coração despedaçado a quebrar o medo de falar, apetece-me ficar em silêncio e quem sabe percorrer os teus medos num arrepio que te faça ver que é de ti que gosto. E gosto de ti não porque queira mas por é assim que tem de ser, foi a ti que o coração descontrolado quis, foi em ti que a minha vida viu outra razão de ser, a única e verdadeira razão de ser em amor.
Apetece-me chorar, partir tudo, partir o mundo se preciso for, só cum grito desbravar os oceanos da dor para te oferecer os meus braços manchados de sangue, cortar-me depois mais e mais e mais e sentir em mim a vida a esconder-se por detrás dos pulmões já com pouco ar puro.
Apetece-me chorar. Deixas-me?