segunda-feira, 6 de agosto de 2007

"O tango é o pensamento triste que se pode dançar"


Prende-me toda e a cada passo leva-me contigo, num compasso de dois por quatro deixa que as minhas pernas nuas aqueçam a nudez das tuas... puxa-me, prende-me!
Este tango é nosso, dança de pensamentos, já sinto em mim as tristezas remexerem-me o corpo, a noite verga-se pelo luto, tu e eu.
Nesta noite de tantas insónias, só um par apenas, em ritmo binário uma melodia tempestuosa invade-nos a pele, corpos pausados, olhos quebrados e em nosso redor todos de pé... prende-te a rosa que trago no seio, curvas teus olhos em desejo incompreendido, eu quero já, quero uma vertigem de toques desejados mas com desprezo cedo à força até a música findar.
Cobres-me de dor, dor amarga de querer ter-te de mais perto, envolves-me de tanto, preenches-me de ainda mais, vens sobre mim a cada toque súbtil, a cada olhar em fúria, a cada movimento brusco da cabeça que me faz mover o cabelo negro...
Já só somos nós, toda a sala se foi, só somos nós a dançar este tango em cima de uma núvem...

Sereia


Quase poderia ser uma sereia... Adoro o mar, adoro a terra , adoro os homens, adoro o sal das águas no meu cabelo, adoro a beleza, adoro nadar...
quase podia ser sereia mas se tu quiseres posso ser para ti, basta que me olhes de modo diferente... Tu és capaz.

Sereia
Es!
Reparo.
Es!E eu
Incapaz de
Acreditar.

Se eu tiver saudades

Se eu tiver saudades vais-me deixar chorar? Vais deixar que me renda às lágrimas, à falta e à perda? Só por um bocadinho que seja, só quero chorar os teus passos em direcção ao outro lado de mim, depois quero ser capaz de chorar tudo, o resto, o que ficou por chorar destes momentos em que aqui estiveste e eu não pude fazê-lo.

Vai, tens de ir, o sol já se está a esconder por detrás do nosso horizonte, é hoje. Com as malas na mão nem olhas para trás e enquanto tu te distancias eu ando de baloiço e ouço o movimento do carro cada vez mais distante...

domingo, 5 de agosto de 2007

Desembaraço

E sem embaraço magoaste as minhas denúncias com as tuas palavras e com os gestos premeditados e eu acreditei que era possivel fingir que o meu coração acreditaria na verdade que escrevias com o teu olhar....

sábado, 4 de agosto de 2007

Solidão



Ir ou não ir, ir e não voltar , voltar e ficar , não sei... Que decisão tomar?

Silêncio



Hoje só me apetece calar a dor, gritar em segredo,
murmurar e sussurrar as palavras mais sábias que habitam em mim.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dói-me a Alma


Quero sangrar a alma de uma vez, ela dói tanto, tanto... trespassada por uma dor sem limites vira-se do avesso e contorce-se de sofrimento, eu balanço nos dias encostada a um canto, seguro a face que já não reconheço.

Que é feito de mim?
Que é feito da minha vida?

Apago as velas de um aniversário só, apago as cinzas dos cigarros que ainda aquecem o quarto vazio, apago as tuas pegadas e deixo que me ardam as entranhas, pouco a pouco, bem fundo, sangrando como um animal ferido, sem dono, sem lugar onde ficar, assim sinto morrer devagar o meu pobre coração.

Verdades Cruas...




Posso só ficar assim?
Como se me tivessem arrancado um pedaço do coração?

Matas-me com as tuas palavras... há mentiras que não disse e sentes que eu deveria ter dito.


Nunca soube ser senão verdadeira!

Vozes...


Ouço vozes dentro de mim, à deriva, vão de um lado, chegam de outro, remoem as minhas entranhas, são vozes pequenas, grandes e médias, longas e demoradas, vozes perturbadas outras esclarecidas, anjos ou demónios, verdades ou mentiras... só sei que ouço vozes.
Gritam aos meus ouvidos temores imcompreendidos, gritos, gritos de dor, tristeza, muito sofrimento e o que eu sou é apenas o que me gritam essas vozes em alarido, depois arrancam-me a pele do coração e ardem em mim como vulcões em erupção, queimam o que sou, assustam o que me resta e deixam-se estar numa algazarra tão grande que me sufoca o ser em prelúdio.

Ventos de Solidão



São ventos senhores, são ventos de solidão,
no desengano, nos amores,
à solta no coração.
São ventos fortes e duros,
no corpo e na alma,
sonhos e segredos escuros.
São ventos senhores, são ventos de solidão...

Pesado Fardo


Sinto a dor dos outros a cobrir-me os passos , pesado fardo este de te saber longe de mim, tão longe e frio que não suportas quando abro as minhas portas para o mundo pequenino que me cerca, tenho de medo de me enganar, tenho medo de te perder mas os rostos que se entulham à minha porta não me deixam respirar . Sofro a dor dos outros como se fosse a minha, tanta dor , só a dor e o resto será só o avesso de tudo o que poderia ter sido e não foi.
Há corações gastos pelo pó da ausência e da falta, há mãos que precisam das minhas para segurarem os sonhos que vão caindo, há lágrimas que no meu peito se choram e há tudo assim, tudo, tudo e tanto peso que não sei fechar portas nem janelas deste meu mundo inteiro a esse outro mundo pequenino que me rodeia.