segunda-feira, 23 de julho de 2007

Escuto



A voz acelerada, pausada, momentânea, a ecoar no vazio negro que me envolve e só me resta este cheiro a rosas no ar, esta última elevação antes do sepúlcro...
Tens algo para me dizer ainda antes de me ir? Então diz agora enquanto este voo compassado não me leva para demasiado longe, tão longe que a tua voz não me siga e os meus ouvidos não lhe ouçam o timbre...

Diz-me... escuto!

Cala-te



Cala-te! Por favor cala-te!

Batem à porta, um toc toc de suicídio como se fosse um corpo a cair no mar, rasgam-se as cortinas à volta e já nem se ouve o ar, respira-se a morte por dentro e por fora num manso pesar...

Cala-te! Por favor cala-te!

As melodias que ecoam são a morte anunciada nas mãos despidas, na espinha dorsal o suor frio de me saber viva, só mais um pouco e não se respira vida como se a morte fosse já o meu lugar, neste mundo encantado que me faz chorar...

Cala-te!Por favor cala-te!

Paragem


A próxima paragem são os teus olhos que me cegam e me curvam à tua passagem, depois pára o meu coração de bater por segundos e ainda sinto nas veias o sangue a ferver. Lágrimas que me cobrem o rosto neste mês em que a chuva já parou de cair, desespero nos olhos que se afastam mas que o meu corpo quer perto, mais perto que a pele na pele, que o mundo pequenino onde me perdi....
A próxima paragem é o teu peito para que me chores como eu me choro quando a noite cai e não consigo dormir e depois fico só a aquecer-me com as tuas faltas e a cobrir-me de múrmurios. Lágrimas que se acendem em mim e me enchem de silêncio...

Pára... pára... uma paragem num lugar de passagem que habita em mim.

sábado, 21 de julho de 2007

Dança de Lágrimas

Desespero



Acumulam-se as ausências e as faltas a um canto... pena de mim por ser assim ou estar assim ou então pena por me deixar ficar assim. Porquê?
Acumulo caminhos que não sigo e perco-me toda em ir e vir por estes bosques de mim que não sei de cor, cravo o peito de dores e sofrimentos e depois curvo-me e enrolo-me em mim só para me sentir uma vez que seja, sentir-me um pedaço viva mesmo que a vida não faça mais sentido.
Bater-me na pele e sentir-me gelada, morta. Bater-me e espancar-me e morrer abraçada ao nada que me resta.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Espera entre lágrimas....



Que espera me despera e me angustia...


espera entre lágrimas...

Caminho de Lágrimas


É árduo o caminho que percorro, tão árduo e demorado que o horizonte é um ultraje perante a minha força de ir. Vou, devagar, depressa ou assim assim. Esqueço os meus braços no local da partida e quando olho para trás não os consigo alcançar, esqueço o meu beijo a meio caminho, esqueço a face amedrontada e o rosto molhado, depois controlo o ar que me bate contra o cabelo e o sacode em direcção ao ontem num presente que se antecipa longínquo.
Caminho de lágrimas com marcas de revolta e desespero, as pedras da calçada já despidas num aceno quase perfeito, tão desvantajoso como endiabrado, só faltas tu a tecer as palavras que nunca me dizes... só restam os silêncios plenos a arrastarem as sombras ao meu lado.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Fragilidades




Posso contar-te um segredo se quiseres...
Queres?
Tenho a alma ferida, estava tão cheia que rebentou e agora
não sei que fazer...
Quero chorar... deixas-me?
Quero isolar-me, ficar-me só, deixas-me?


Rios de fragilidades,
água que me corre com o sangue sangue nas veias,
sou frágil como uma gota,
frágil como uma lágrima...



... Eu...



Sangrando


Já viste como me sangram os olhos fartos de lágrimas? Porque só me escutas quando apareço quebrada, ardendo por dentro prestes a explodir? Porque só me escutas quando a alma sangra? Era mais fácil se me olhasses o pátio das recordações atoleimadas e esquecesses a rua que te dei, era mais fácil se enxugasses as lágrimas que choras e parasses de me dizer adeus, era mais fácil, tudo era mais fácil se o aqui e o agora não fossem tão repentinos e efémeros. Andas ocupado a vigiar-me a dor, tão ocupado que nem vês o horror que me vai cá dentro e perturbas os teus dias com a sombra do meu futuro gasto que não tem uma passadeira vermelha por onde passares. Ninguém te vai aplaudir enquanto o sangue me escorrer da alma, ninguém se vai orgulhar do que tu fizeste porque tu não fizeste absolutamente nada. Ficaste apenas a olhar-me de longe com os olhos cobertos de lágrimas, deixaste que eu morresse aos poucos nos gestos que não me entregaste, nos abraços e nos beijos que ficaram por dar...

Um último cigarro


Acendo um último cigarro de mansinho, acendo um último e fumo-o pausadamente como se esperasse que a dor que me cai dos olhos não balançasse tanto como a legítima defesa. Choro tanto e falo tão pouco, deixo que os silêncios antecedam as palavras e que os mistérios dos enigmas de olhares e toques enfrentem a cobardia dos mal intencionado e refinados, premeditados, gestos. Choro tudo o resto como se fosse pouco e é tanto que me cobre a alma de lágrimas e nem nas passas que dou no último cigarro sinto o sabor doce da vitória, só o amargo fel da derrota antecipada e um gemido silencioso que ecoa sobre os espaços em volta.
Choro... Fumo o sofrimento devagar enquanto a dor me come por dentro, espero a inglória morte e a sarcástica saudade já me ocupa os sentidos e os arredores dos mesmos.

...

Desculpa


Desculpa, não estou bem, a minha vida anda sempre aos tombos, perco tudo até a vontade de viver...

Desculpa por não aguentar mais! Desculpa se não sou tão forte como gostavas que eu fosse mas já não aguento mais!

Desculpa se cometi algum erro ortográfico, escrevo-te a chorar, tanto que as lágrimas já se misturam com as letras.




DESCULPA...