sábado, 16 de junho de 2007

Quebrar


Hoje decidi quebrar ao meio as barreiras que me impedem de te alcançar, com elas quebrei todas as palavras que não disse e mesmo as que disse, mesmo aquelas que apodreceram no ar que não respiraste com medo de te contaminares por este sentimento febril que carrego no peito e que me faz, cada vez mais, transpirar de saudade de ti.
Quebrei tudo, até o mundo eu quebrei, para que fosse possível um momento só, um instante apenas, envolver-te com os braços da distância, quebrar também a ausência e ter-te assim de tão perto que se confundisse em nós o respirar.

Estiquei o braço para fora do lençol branco tingído pelo sangue da alma, puxei ao peito a tua fotografia, olhei-a, quebrei-a depois contra as paredes de uma verdade inventada, descontrolada rasguei os pés nos cacos de vidro que cobriam o chão, quebrei a vida ao meio, quebrei-me toda com ela e antes que a tua foto se molhasse com o sangue que já quebrava tudo, deixei que nos quebrassemos os dois juntos...

Um comentário:

João Vasco disse...

Um belo texto ornado de tristeza ainda que o texto não seja triste.
Beijo