sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Se por acaso me vires por aí


Se por acaso me vires por aí faz de conta que não me conheces, que nem te lembras das cores que o céu tem nas noites em que não adormeço, que a noite é fria quando eu me levanto para beber um copo de água. Então faz de conta que não me descobres entre a multidão que conheces, fala sozinho e diz que me esqueces quando eu passo em tons de silêncio. Olha para mim mas não me gostes enquanto as gotas te rolam na face, finge que és tu que moras agora bem longe de onde eu vivo. Se por acaso a vontade for tanta que não consigas mais ver-me, tapa a tua face com as mãos e vais ver que o que parece não é; é muito simples querer a partida fácil é não concretizá-la mas nos meus olhos já soa à ventania e ao gelo desta longitude.
Se por acaso me vires por aí inventa uma morte à pressa, se tu chorares não chores por mim chora apenas pelo meu avesso, vais ver então que não sonhamos juntos porque é demorada a espera, quebra a esperança, solta os teus medos, não desesperes por mim. Apaga a fogueira deste sentimento, finge-me longe de ti, então faz parecer que o céu mudo já fala para ti.
São lágrimas que caem em mim mas é melhor assim, para ti, para ti, para ambos, se o sorriso te gemer de dor conta anedotas a ti próprio, depois finge que és actor e não te demores a inventar um novo papel, rói o mundo que era nosso e a esperança que ainda te aquece o corpo.

Sabe apenas que ainda penso em ti apesar de te querer longe de mim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Para Ti


*foto de Ricardo Tavares


Escrevo num compasso melódico de mim,
vagueio sobre a escuridão dos dias, teimo sempre,
longamente, demoradamente, teimo.
O fim desconcertante está perto,
páro para te ver, respiro para te escrever e continuo,
o segredo é meu, teu e dos deuses que nos acompanham as baladas,
desmanteladas, desorganizadas, pausadas e arrepiadas
como a boa música deve ser.
Para ti não há nada mais que sirva,
nada mais que diga servirá para que te comtemples,
para que entendas que a perda é terrivel companheira,
à minha beira encontrarás o que procuras.
Não te afastes tanto, um dia quererás voltar e não saberás onde estou,
um dia quererás acordar desse pesadelo teu,
um dia quando os teus olhos se abrirem
os meus poderão estar já fechados.

domingo, 30 de dezembro de 2007

O Fado Vadio fez-me Sua Letra


Acordei com a melódica sensação de tristeza a ecoar pelo quarto, como um eco vadio de um fado traçado a fogo sobre a pele, respirei ao redor do resto do mundo como se soubesse de cor este cheiro a lágrimas que me entrava nas vísceras e me falava de mim a mim própria.
Vadio! Procurou um canto onde se acomodar e fez-me Sua Letra, bailando sobre o seu Xaile vi-me assim poeta e muito antes de o ser, já antes da manhã me cantar a geada ao ouvido, eu cantei baixinho à luz das quimeras, os sonhos das eras já mortas pelo caminho.
Híbrida sensação me acarreta o espírito, quase doentia, quase sinistra o mais que suficiente para me acanhar a alma, já temerosa, já assustada, já cansada, já teimosa, já despida do pecado original, deitada a um canto, sacudindo o desencanto, sonhando ser gente ainda pelo vale da fantasia andando como vadia.
... e o Fado Vadio fez-me Sua Letra, nem a vagarosa quietude da manhã o pode deter, entrelaçando-me o corpo como se já estivesse morto, tomando-me a alma como se esta já não me pertencesse, fazendo de mim seu significado, tão duro, curvado já pelo trago amargo do sofrimento.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Juntos


Se me deres a mão, se não tiveres medo conseguiremos juntos entender as forças que se erguem contra o nosso amor. Se sacudires o pó do passado que ainda te suja a alma e me deixares entra nela e acomodar-me a um canto eu prometo que serei capaz de te seguir, serei capaz de erguer os braços e felicitar-te com um sorriso redondo enquanto as minhas mãos se erguem de alegria para bater palmas.
Se tu souberes dar-me o real valor... se tu conseguires dar-te o real valor. Agora e para sempre serão três palavras no nosso vocabulário...

domingo, 9 de dezembro de 2007

O teu presente de Natal!

Às vezes penso, sem querer ser lamechas, que o melhor presente que te poderia dar seria eu mesma embrulhada no amor que te tenho e nos sorrisos que ainda não te entreguei, nos abraços, nos carinhos, nos secretos segredos vadios que não te dei. Então páro e não te alcanço porque o teu coração está demasiado triste este Natal, choro um pouco por ti e por mim e depois balanço no baloiço da minha lua enquanto a noite é tua, só então te consigo sentir despertar.
Este Natal vou chorar por ti, sorrir enquanto choro e recordo com saudade tudo o que vivi, depois vou calar a dor de vez e vou abrir-me ao mundo novo que sonho para os dois e se tu deixares vou pegar-te ao colo (se conseguir!) e vou deitar-me contigo ao pé da lareira enquanto olhos nos olhos deixo que o calor nos aqueça a alma já gelada de faltas sucessivas.


Este é o teu presente de Natal, um simples texto cheio das vontades que me atingem e se tu quiseres que me afaste lembra-te que um dia eu quis aproximar-me mais.

Saudade...






Um Beijo em Ti *

* este é para ti e tu sabes quem és!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

The true love


O verdadeiro amor é superior a todas as descrições,
o verdadeiro amor não anda na boca dos impuros
nem no coração dos inseguros.
O verdadeiro amor que as outras coisas não são isso
e a forma maluca com que se vive a vida hoje em dia
faz com que eu pense cada vez mais em escrever cartas de amor a alguém que ainda aparecerá porque é assim que funciona.
O verdadeiro amor é entregado e dado,
porque quem entrega recebe sempre pelo menos a metade
e com a metade se serve como alimento para a alma.
Quando penso ou sinto que deveria pensar o verdadeiro amor
não sei se será ao ponto de o condenar por todos os momentos em que o não pensei
mas depois outra vez e concluo que afinal talvez este seja o modo mais natural de o fazer.
E assim é o verdadeiro amor dos heróis entrestecidos que deixaram as suas esposas para partir para as grandes batalhas que os fizeram vencer todas as grandes guerras,
aquelas que os tornaram conhecidos nos famosos livros de História,
o amor cantado pela boca dos românticos
e assim é o amor, uma libertação mais do que uma condenação...

Eu amo o amor e tu também o amas?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

"Pulsa o Impulso"

Vi-te de longe, cruzamos o olhar e eu soube logo ali que as saudades que sentia eram maiores do que pensava, tinha saudades do Artur homem e amigo, o Artur Moura Queirós escritor é uma nova faceta da tua vida que acredito ter vindo para ficar e que faz falta ao teus leitores assíduos.
Sempre sereno respondeste às perguntas que te fizeram, ouviste os elogios e sorriste porque o teu coração assim o queria, sempre soubeste que mais importante do que receber era dar e por isso davas-te sem demora, hoje não foi excepção. Eu com os olhos vidrados já ouvia a tua voz como um eco dentro de mim a sussurar aos meus ouvidos todo um mundo interior que apartir de agora está paginado no nosso mundo exterior num conjunto de poemas.

Tive a oportunidade de estar aa teu lado neste momento tão importante na tua vida e ver-te nos meus olhos a sorrir como duas castanhas de Outono. Eu não sei como resisti à breve mas pausada vontade de te abraçar naquele momento. "O silêncio nunca incomoda...", eu gosto do silêncio e no meu silêncio consigo entender melhor o teu barulho.

Durante a viagem de metro de minha casa para lá e de lá para minha casa vim a escutar no mp4 uma música que hoje te dedico porque o dia é teu, a noite é tua, o mundo é teu e "se para mim o teu poema é verde e tu achaste que ele era azul melhor porque assim fica com duas cores diferentes!".

Save the Last Dance for me ...




Espero pela última dança...

[dedicado a Artur Moura Queirós, o homem, o amigo, o escritor, sobretudo pelo seu livro "Pulsa o Impulso" mas também porque é um jovem crescido que fez despertar em mim a vontade de também eu crescer em sorrisos e paz]

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

edaduas





Quis cantar-te uma canção para que ouvisses tudo,
mas depois afundei-me nas palavras onde te afundas,
quis pedir-te perdão mas não sei se me ouves
na ausência tu não sabes o que sinto.
Continuarei a procurar em mim o Outono que começa depois do Verão,
continuarei a construir o meu castelo onde havemos de morar, podes acreditar.

...
e ás vezes, às vezes nas quebras de mim
preciso de me encontrar nos teus braços e em ti.

Quando nos bate a saudade...


Às vezes a saudade nos bate, uma sapatada na face esquerda ou direita,
quer seja agora ou depois a verdade é que a saudade nos bate e nós ficamos a olhar para ela com aquele olhar de quem perdeu alguma coisa e não sabe nem o que perdeu, nem quando perdeu, nem pnde perdeu...

Eu às vezes até penso em ripostar, mandar-lhe dois socos de volta, a mim é que a saudade não engane, nem bate nem dá cabo de mim...

Hoje acordei com vontade de respirar, senti-me vida ao olhar a tua face.

Agora e para sempre lixe-se a saudade, bata-nos ela ou não a verdade é que não saberei mais o que fazer se não sentir a saudade a olhar-me os olhos com vontade de me bater eu não me sentirei viva.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Renascer


A vida pode cair aqui mas erguer-se ali!



E hoje reconheci-me através do teu olhar, soube que estava bem entregue no teu coração, tive a certeza que podia adormecer em paz porque haveria sempre uma mão a fazer-me festas no cabelo mesmo à distância... corri ao teu encontro porque tinha saudades de mim própria e sabia que me ia encontrar em ti, assim foi.
Sentei-me, deixei que abrisses a minha alma e me entregasses um todo de mim que com carinho sempre te dei, relaxei ao ouvir-te falar de mim própria, tu conheces-me verdadeiramente, respirei a vida quando me confrontaste com a verdade que eu própria já não conseguia encontrar. Se tu soubesses como me fez bem olhar os teus olhos e ver-me neles e depois deixar que me invadisse esse sentimento de amor, senti-me totalmente em casa, acomodar-me nos teus braços e beijar-te com a suavidade e delicadeza do costume...

... tinhas razão, se o mundo te parece estar ao avesso talvez seja porque tu estás ao contrário, abri as persianas e pela primeira vez desde há muitas semanas consegui vi o azul do céu através da janela do meu quarto.
Obrigada.


(dedicado a Joaquim Amândio dos Santos, o Senhor, o Homem, o Amigo que hoje me fez respirar vida de novo)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pequena rasteira


Repousa a tua mão sobre o meu peito nu
amante dessas noites que não temos,
aquece-me as mãos com os teus beijos
és tu que inventas no meu corpo mil desejos.

Amanheci na cor dos teus cabelos
na branca e terna pele que me desperta,
teu corpo delgado é a ventania
que fecha de rachada a porta aberta.

Não esperes meu amor, a espera não presta,
quando o coração dói como agora
esta sensação é a única que me resta.

Vem ao meu encontro mas caminha até mim,
não fiques a meio, quebra o limite,
o teu caminho é o meu fim.