terça-feira, 31 de julho de 2007

Não sei ser poeta

Quando escrevo poesia não me dou,
Faltam-me as palavras interdictas,
Faltam-me as rimas esquesitas,
Falta tudo, falta tudo o que sou,

Não sei ser poeta, não sei...
nem agora nem nunca hei-de saber,
tenho o que digo e o que fica por dizer,
tenho o que dou e o que já dei.

Não sei como se faz para ser poeta
nem tão pouco sei o que falta ou resta
para ter esse dom dentro de mim.

Mas sei que só ser eu assim me basta,
é a escrita, é a escrita que me arrasta
para longe deste antecipado fim.




(tentativa de soneto ... por entre lágrimas)

Vens? Sem dizer nada a ninguém...



Se vieres comigo prometo-te um mar de segredos que havemos de desvendar,
se eu sou o enigma tu és a decifração,
se eu sou o problema tu és a solução,
se tu vieres comigo eu serei verdadeiramente eu,
se não vieres tudo será tão incrivelmente vago.
Vens?

(A)Mar



(A) Mar que os meus olhos banhas este amar assim tão intensamente
que as ondas da distância não chegam para todo o sentimento...






Nós somos tão diferentes e tão iguais, as tuas mãos que não toquei são a única coisa que falta, o teu coração que já bate ao som do meu já não faz diferenças, já não existem diferenças só este mar que nos separa, tanta água e ao longe, não é miragem, é um porto seguro, do teu horizonte tu vês os meus braços, do meu horizonte eu vejo os teus e como tudo seria mais fácil se esta água se fosse e pudessemos correr de encontro um ao outro e amar-nos de verdade.
Nós somos tudo o que queremos e sonhamos, como a água que observamos clara e nítida, num vai e vem de emoções não precipitadas, num ir e vir de desejos e de toques que sinto, sinto em mim como se fosse a tua pele a tocar a minha e não a àgua a fazer-me cócegas, como carícias.


Nós somos o toque para lá das águas, a voz que em segredo se revela pura como toda esta transparência na água, somos tudo em tão pouco tempo que é certo desconfiar e não querer criar ilusões. Mas nunca haverá uma ilusão porque a verdade é para ser dita, não importa de que forma, pode ser através da voz, do gesto, de tudo o que nos enche por dentro de vida, tu enches-me de vida não importa como, talvez a nossa verdade seja uma realidade estranha ou talvez seja apenas a verdade que nos escolheu e se assim for não existirá nunca ilusão porque a transparência faz sempre toda a diferença...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Cheira a Mar aqui...



Cheira a mar aqui, cheira ao sal das lágrimas
e eu sentada permaneço ousando o impossível
que é acreditar-te vivo sempre em mim...
sempre.









Uma dança de lágrimas a caminho do céu?!


Porque tu és o meu melhor amigo, quando o meu melhor amigo morreu julguei que não poderia encontrar ninguém capaz de fazer por mim nem metade do que ele fazia. Quando tu chegaste eu soube que mesmo que os pesadelos me quebrassem o sorriso tu estarias sempre aí para partilhares os teus bons sonhos e me fazeres sorrir. Soube que mesmo quando a solidão dava cabo de mim, tu estarias sempre aí para me encher de abraços e me mostrar que nunca estaria sozinha.
Choro porque sei hoje que sofres, eu também sofro e tudo isto era desnecessário porque tu és incrível e contigo consigo dançar a dois palmos do chão... a caminho do céu.
Não me abandones, não agora, não amanhã, não nunca, porque preciso de ti para viver, preciso de te ligar e contar as aventuras, preciso de te ouvir incentivar-me e preciso sobretudo de ir contigo ao cinema, comer pipocas, contar anedotas, preciso da tua companhia até quando vou ao maldito hospital, só porque me acalmas e sorris e te enches de sinceridade e me enches de felicidade.
Já sinto a tua falta antes mesmo de te ires, sinto que te queres ir mas também sinto que ambos precisamos que fiques, apetece-me chorar, deixas-me? E se amanhã não estiveres aqui deixa-me dizer-te hoje que gosto de ti, és muito especial para mim e não quero que te vás como se nada fosse ou tivesse sido.


Enche o teu peito de ar, escuta a minha voz nesta exclamação... se eu morrer, quando eu morrer, pode ser já, pode ser logo, pode ser amanhã, quero que dances comigo, uma dança de lágrimas a caminho do céu, como só tu és capaz.




Adeus, até qualquer dia....

Já respirei o ar a mais , já sacudi as esperanças a mais, já não sou capaz de inventar dois passos só para te alcançar, apetece-me partir, chorar ao partir mas ir... Desculpa.



Viro as costas ao que sinto porque sei que não chega para ser partilhado, viro as costas ao que recebo porque sei que me sobra, não sou capaz de amar, não sei amar... viro as costas a uma dança com os olhos cobertos de lágrimas.
Despedida difícil esta que me tira o ar do corpo e me liberta já em saudade e lágrimas. Tenho de ir entendes? Só porque o que te dou não chega para me sentir realizada e porque me apetecia estar contigo mil vezes e não posso, ao contrário do que possam dizer, no amor há condicionantes.
Nem sei se é amor! Não me sinto só capaz de estar contigo, ser contigo enquanto os espaços do meu corpo se enchem de dúvidas.
Deixa-me ficar amarrada a este tempo incrédulo, como eu gostava de sentir muito mais, só porque tu mereces, és único, como eu gostava de te dar muito mais só porque tenho a certeza que és das mais belas pessoas que conheço. Mas tenho de ir antes que o engano estrague a nossa bela amizade.

Adeus, até qualquer dia...

domingo, 29 de julho de 2007

Vamos dançar?


Neste mar azul que agita o coração e confunde nas veias o sangue, neste rumo sem saber por onde ir e onde ficar, neste jeito modesto, tão simples, tão igual a si mesmo, um só gesto...
Toma-me para dançar entre as lágrimas que me sufocam quase até à morte, dás-me a mão num só acto eterno e preciso... prendes-me a ti, pele na pele, boca na boca, mãos dadas sobre o céu azul que agita o coração e confunde nas veias o sangue, um novo sentimento a despontar.

Vamos dançar?

Sombras


Entre as sombras na rua o teu rosto passeia nesse teu corpo,
sombras sobre sombras,
letras não escritas
para que o pecado seja maior são palavras interdictas.

Sob o olhar da lua caminha o meu desejo de ver-te,
sombras sobre sombras,
um rosto escondido
no meio do escuro o meu corpo despido, esquecido.

A um passo das mãos que não demos na rua que nunca percorri,
sombras sobre sombras,
letras, palavras e um rosto,
um rosto que nunca vi mas que já gosto.

Segredo (revelado entre lágrimas)


Segredos Revelados em Palavras Pronunciadas e Silêncios Calados...


Poderei eu apaixonar-me pela tua voz? Construir castelos de carinhos com a melodia da tua voz e ser capaz de desbravar os montes da distância só para te tocar, um toque final no início de tudo, serei eu capaz?
Depois páro só para ouvir o teu coração bater, como se gosta assim? Um coração acelerado à distância vale mais do que tudo quando se gosta assim. Como se gosta assim?
Estou inquieta, quero saber se o amor na voz não se confunde, se é apenas como a aragem leve que passa por nós e nos despenteia ou se fica no coração e na alma para sempre. Estou a estranhar gostar-te tanto assim por entre lágrimas e dançar contigo no limiar. Basta um salto, uma pirueta , um passo, simples e humilde, mas quando ultrapassarmos o limiar quero que me leves ao colo pelo teu próprio pé.
O resto? Deixa correr o tempo como correm as minhas lágrimas para ti e no despontar de meia dúzia de sorrisos verdadeiros deixa que esta estranha loucura fique. Não fujas...

sábado, 28 de julho de 2007

Anjo da Guarda


"... mas sou o teu anjo da Guarda!"

Anjo da Guarda, minha companhia, guarda o meu corpo de noite e de dia...

Debaixo das tuas asas deixa-me chorar à vontade, acompanha-me numa dança de lágrimas escondida dos rostos curiosos, do mundo pequenino que não cabe no meu mundo inteiro.

Sim?

Palavras Não Pronunciadas


Um olhar de longe,
um sentir demorado
a um canto ferido esperava o coração magoado.
Uma carícia ferida,
um profundo silêncio,
calado o desejo pausado de ter a tua voz para o resto da vida.

Um silêncio antecipado,
palavras que não dissemos
e à distância de um sorriso envergonhado,
um gesto perturbado pela boca silenciada.

Um olhar de longe,
o teu que não foge com o mau tempo,
um perfume no ar a vaguear os silêncios prematuros,
uma união de mundos num simples momento.